Há um ano assumi a chefia do tradicional restaurante Botequim, aquela casa verde em Botafogo, onde nos últimos trinta anos muitas famílias cariocas vão almoçar aos domingos. Faço essa introdução porque o Botequim é um tipo de restaurante que as pessoas não imaginam que tenha um chef de cozinha (e isso serve para os estudantes de gastronomia).
A figura do Chef tem sido envolvida em mito, sempre ligada a restaurantes da moda ou de "alta gastronomia", onde vamos apenas em ocasiões especiais, e costumamos deixar mais que os olhos da cara. Não estou fazendo campanha contra os restôs bacanas, já trabalhei em vários, como o aconchegante Miam Miam, e um dia pretendo ter o meu "restaurante com assinatura". O que defendo é o acesso à boa gastronomia, seja ela de festa ou cotidiana. Entendo que uma comida acessível, pode e deve ser bem feita, bonita e mais saudável.
Seguindo esse raciocínio, meu papel no Botequim é transformar um cardápio que já era bom e reconhecido pelo público em algo ainda melhor, mais atraente e saboroso.
2.2.10
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