Angú recheado com ragu de lingüiça mineira e carne moída

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Sempre achei que a gastronomia mineira tinha muito da Itália, não só pela nítida influência dos colonos italianos na culinária caipira, tão bem representada pelo frango com macarrão de vara. Mas a ruralidade das duas, o clima, o porco, o milho, tudo isso me faz enxergar Minas&Itália como irmãs no meu imaginário.

Aliás, nunca conheci um lugar tão mineiro quanto a Sardenha. Sabe o diálogo mineiro do "- Dia!" "- Dia!"? Lá se fala "- Giorno!" "- Giorno!" Até a paisagem é muito parecida com partes de Minas.

A Itália, assim como Minas, é bastante rural e isso se reflete favoravelmente na gastronomia de várias das suas distintas regiões, onde as pessoas primam pelo alimento fresco, local, preparado no dia e de maneira simples, onde o que sobressai é a qualidade dos ingredientes.

Dessa mistura, por afinidade, das duas culturas, preparei, e preparo bastante aqui em casa pro jantar, esse prato ítalo-caipira:

Angu de fubá de moinho, recheado com ragu de carne e lingüiça mineira.

Ingredientes:
1 xíc. de fubá de moinho (ou qualquer outro fubá na falta do próprio)
4 xíc. de água
1 dente de alho amassado
Sal

Ragu:
200g de carne moída
200g de lingüiça mineira picadinha
1 cenoura média em cubinhos
1 cebola picada
2 dentes de alho picados
2 latas de tomate pelati ou 400 ml de passata de tomate
2 colheres(sopa) de azeite
1 folha de louro
Sal q.b.
Pimenta q.b.
Cobertura:
Queijo minas meia-cura ralado


Preparo:
Refogue a cebola e a cenoura no azeite.
Quando a cebola estiver transparente, junte o alho.
Refogue por 1 minuto e junte as carnes, fritando bem.
Adicione o tomate batido, ou a passata e a folha de louro.
Deixe cozinhar por 20 a 30 min. até o molho engrossar.
Tempere com sal e pimenta. Reserve

Angu:
Misture o fubá com a água fria e o alho amassado e leve ao fogo, mexendo sem parar até engrossar. Tampe e deixe cozinhar por 40 minutos.

Montagem:
Use um aro de 8,5 cm de diâmetro.
Posicione os aros dentro de um tabuleiro e coloque uma camada de angu quente, até a metade do aro. Uma camada do ragu. Cubra com mais um pouco de angu e finalize com ragu.
Deixe esfriar dentro dos aros.
p.s. Também pode ser montado em um pirex grande se não quiser ter o trabalho de montar em aros.

Finalização:
Tire da forma. Polvilhe queijo meia-cura ralado e leve ao forno até gratinar.
Sirva em um prato e coloque um fio de azeite e ervas picadas. Mangia que te fa crescere!

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Bolo de laranja com whisky

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Essa receita de bolo de laranja é uma das melhores que já fiz. Se você quiser a receita vai lá no Technicolor Kitchen que tem essa e outras receitas bacanas. A dona do blog (que não conheço ainda), pesquisa bastante e faz fotos belas. 



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Receita fácil de biscoito: Beijos de Moça (Baci di dama)

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Baci di dama, são biscoitos típicos da região do Piemonte, mas vi em quase todas as pasticcerias (confeitarias) por onde passei.


Os primeiros me apareceram em Veneza, e depois do primeiro beijo, fiquei apaixonado e andava em busca deles por onde andava. Até em Laconi, na ilha da Sardenha, fui atrás dos danados!

É uma receita muita simples e delicada, de biscoitos com massa de farinha de amêndoas e recheados com chocolate meio-amargo derretido. Uma espécie “casadinho" italiano, com massa diferente da nossa, mas que ganhou uma versão brasileira com massa de amendoim e recheio de doce de leite, na minha cozinha: o Beijo de Moça.


Como fazer?

Ingredientes:
- 200g de amendoim torrado e sem a pele (ou 200g de amêndoas sem pele)
- 200g de farinha de trigo
- 200g de manteiga sem sal em temperatura ambiente
- 200g de açúcar
- 100g de doce de leite pastoso (ou 75g de chocolate meio-amargo e 50g de creme de leite) para o recheio

Preparo:
- Torre os amendoins por 15 min à 180°.
- Deixe esfriar e retire a pele.
- Em um processador, triture o amendoim com o açúcar e um pouco da farinha de trigo, até que fique com a consistência de uma farinha grossa. Não deixe bater por muito tempo, se o amendoim aquecer, vai soltar o óleo e a mistura ficará pastosa.
- Misture o restante da farinha de trigo com a manteiga em temperatura ambiente, até formar uma massa homogênea. Deixe descansar por 15 min. na geladeira.
- Forme bolinhas e disponha em uma assadeira untada com manteiga, ou forrada com silpat, e asse a 180° por 15 minutos. Retire do forno e deixe esfriar (quando quente o biscoito é quebradiço).
- Depois de frios recheie-os com doce de leite.


Obs.: Para a versão italiana basta substituir o amendoim pelas amêndoas, e seguir a receita. Para o recheio, derreter o chocolate com o creme de leite fervendo, misturar e rechear os biscoitos.

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Sal refinado, sal grosso, sal do Himalaia, do Havaí...

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Há pouco tempo, sal era apenas sal. Na cozinha: sal fino iodado. No churrasco: sal grosso. E pronto! Nenhuma variação, e ainda pouco, pra não aumentar a pressão. Mas muita água (salgada) já correu por baixo dessa ponte.

No que concerne à saúde, em 1988 foi realizada uma grande pesquisa sobre os efeitos do sal na alimentação humana, envolvendo mais de 30 países e testando mais de 10 000 pessoas. Os pesquisadores não conseguiram encontrar nenhum vínculo significativo entre sal e hipertensão*.

De conservante a tempero, o sal acompanha a humanidade desde quase sempre. Já foi motivo de guerras, e é a razão por chamarmos o pagamento mensal de salário. E, curiosamente, é o único mineral que comemos direto na forma em que é extraído da natureza.

O sal é um mineral cristalino, composto basicamente de Cloreto de Sódio (NaCl). Nosso corpo pede por ele, e "somos geneticamente programados para desejá-lo a partir dos 4 meses de idade"*. É um elemento indispensável na percepção do gosto, realçando e equilibrando a complexidade dos sabores e até das cores de alguns alimentos. Controla o amadurecimento do queijo e melhora sua textura, fortalece o glúten do pão e preserva carnes e peixes. Ufa, quanto adjetivo!

Com a moda dos alimentos gourmet, começaram a aparecer no mercado vários tipos de sal com diversas aplicações na culinária. Vamos falar sobre 6 deles: o sal refinado (ou sal de mesa), o sal grosso, a flor de sal, o sal negro do Havaí, o sal do Himalaia e o sal defumado.

Sal de mesa

No Brasil, o sal de mesa, ou sal refinado comum, é sal marinho - como o popularíssimo sal Cisne - extraído de salinas. Mas não é assim no mundo todo. Em alguns países, o sal de rocha é extraído de minas subterrâneas, e costuma ser mais barato que o sal marinho. É o basicão, todo mundo conhece, e não preciso me alongar.

Sal grosso

Companheiro velho de guerra do churrasco, e dos banhos contra mau-olhado, o sal grosso costumava ser consumido do jeito que vinha do mercado. Hoje em dia quase todo mundo tem um moedor de sal, pra moer o sal em cima do prato. É mais gostoso, porque o ritual torna mais gostoso.

Mas qual é a diferença real desse pro refinado? Bem, o sal grosso costuma ter mais cálcio, magnésio, potássio e selênio**, simplesmente por não ter sido maximamente purificado, como o refinado. É o que mais uso em casa, inclusive pra cozinhar (feijão, arroz, etc).***


Flor de sal

A nata do sal, literalmente. Colhida manualmente, são os cristais que se formam da primeira camada de evaporação das salinas. São cristais úmidos, delicados e suaves, muito utilizados para finalização de pratos na alta gastronomia. As mais famosas são as francesas e as inglesas. Mas o Brasil já produz a sua própria flor de sal no nordeste, que custa menos, claro, e é muito saborosa. Uma das marcas é a Cimsal.

Tem uma lei brasileira que estabelece que cada kg de sal dave ter de 20 a 60 mg de iodo. A flor de sal não é iodada, e por isso a ANVISA proibiu, e depois disse que vai avaliar. É uma bobagem, porque ninguém usa flor de sal nas quantidades em que usa sal de mesa, pois é cara demais pra isso (R$10 a R$30 por 100g), e não tem o mesmo efeito, pois seu gosto é bem mais suave, menos salgado mesmo. Se você quiser saber mais sobre esse imbroglio besta, comece por aqui.


Sal negro do Havai

É um sal vulcânico que na verdade pode ser vermelho ou negro. A cor negra vem da mistura com o carvão. É rico em minerais e tem um sabor menos salgado. Bom para usar com frutos do mar e ceviche.

No Brasil custa bem caro, de R$30 a R$50 o potinho de 150g (comprei um pouco mais barato na Rua Santa Rosa, em São Paulo). Vale a pena apenas para finalização de pratos.


Sal do Himalaia

Extraído manualmente, de antigos depósitos de sal do mar, da mina de sal Khewra, no Paquistão. (Lembra o pelo rei, né?) É um sal rico em minerais e acredita-se ser um dos mais puros sais conhecidos. Suas tonalidades podem variar do branco ao vermelho, porém é mais comum em tons de rosa.

É encontrado em blocos grandes, que são cortados manualmente. Por ter a característica de manter  temperaturas, quente ou frias, por um longo tempo, é cortado em placas que são usadas para servir alimentos, tipo bandeja. Funciona muito bem como sal de cozinha, mas pela beleza e dificuldade de conseguir aqui no Brasil, é melhor usá-lo como acabamento. No Brasil custa a partir de R$4,50/100g.


Sal defumado

Defumado lentamente até que os cristais de sal absorvam profundamente a fumaça, que dever ser de madeiras especiais como por exemplo carvalho de barris de vinho (que ainda dão o toque do vinho). Perfeito para finalizar carnes e legumes.

O preço varia bastante, de acordo com o que foi usado para defumá-lo. Geralmente a partir de R$15/100g.


O sal defumado com ervas é cria minha, foi feito em casa, com o nosso sal grosso (que não tem cristais de tamanho uniforme). Defumei com alecrim, louro, pimenta do reino e café. Conhecer os diferentes tipos de sal abre fronteiras para explorarmos novos gostos, e novas possibilidades com o que temos a mão.

E então, quais já provou e qual é o seu preferido? Vamos trocar ideias e enriquecer a conversa? Deixe seu comentário no post.


* Segundo Jeffrey Steingarten, no capitulo entitulado: Sal do seu famoso livro “ O homem que comeu de tudo”.
** O iodo é melhor absorvido na presença de selênio, e isso pode significar uma tireóide funcionando melhor. Tem um texto sobre o sal, e também sobre os prós e contras da adição de iodo ao sal (em inglês) aqui.
*** Uso mais o sal grosso porque minha mulher tem uma forte alergia ao sal refinado in natura. Mas não ao sal grosso.
☞ Outros textos sobre os tipos de sal você encontra no Food52 e aqui.

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